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Na Coreia, dois brasileiros defendem o Qatar e querem estar na Copa do Mundo de 2022

Mungyeong, 09/10/2015 – Quem circula pela Vila dos Atletas não imagina que dois rapazes com uniformes de cor vermelha escrito nas costas Qatar são brasileiros. E mal compreenderá que saíram de suas cidades nos estados de São Paulo e Paraná para defenderem a seleção de futebol deste país árabe, com tradições e culturas tão diferentes das brasileiras.

“Vale a pena”, resume Luís Costa ao lado do compatriota Jackson Miguel. Ainda na juventude, eles desembarcaram em Doha, capital do Qatar, com o sonho de jogar futebol. No início concluíram que não seria tão fácil como imaginavam. Mas persistiram e a altura (1,94m e 1,91m) ajudou a dupla que ganhou espaço no gol.

As diferenças pouco importaram. De um país mais moderno e liberal como o Brasil, para viver numa terra estranha, onde a monarquia absoluta domina os 1,9 milhão de habitantes, do tamanho populacional um pouco maior que Goiânia, capital do estado de Goiás, encravado na Península Arábica, fronteira com a Arábia Saudita e o Golfo Pérsico, o que anima a dupla é a condição de trabalho e o salário que não revelam a ninguém.

Assim surgiam os dois goleiros titular e reserva do Qatar que vieram para a República da Coreia disputar os 6º Jogos Mundiais Militares. Como estrangeiros, Luís e Jackson que num primeiro momento achavam que seriam aproveitados no campeonato local, se viram na condição de servir por cinco anos as Forças Armadas e, deste modo, adquirirem o “passaporte” que os assegura condições de atuarem no futebol.

Simpáticos, os atletas contam que há mais de três dezenas de brasileiros nessa mesma expectativa. Bem como outros estrangeiros que vão para o país tentar a vida. E mesmo assim, diante de tamanha concorrência acham que vão superar todos os percalços e realizar o sonho de jogar uma Copa do Mundo, sendo que pelo Qatar. E entendem que essa viagem na qual embarcaram não tem volta.

Ao Brasil eles só viajam uma vez por ano nas férias que duram cerca de 45 dias. Neste período, Luís Costa mata a saudades dos amigos de Santos, no litoral paulista, e Jackson, da turma de Foz do Iguaçu (PR). Mas é no Qatar que pretendem fazer o pé de meia e, quem sabe, constituírem suas famílias.

Jogos Militares

Nos Jogos Mundiais Militares, a seleção do Qatar chegou à República da Coreia disposta a fazer história. Estreou com derrota para a Argélia (2 a 1), atual campeã dos JMM, mas, na partida seguinte, venceu a França (1 a 0) e depois goleou os Estados Unidos (5 a 1). Numa combinação de resultados, os goleiros brasileiros esperavam ir além, mas foram tirados do páreo por medalha ao serem derrotados pela seleção da Coreia: 1 a 0.

Mas para consolá-los a grande surpresa. O destino colocou-os no caminho da seleção brasileira. Porém, não será desta vez que Luís e Jackson vão jogar contra o Brasil. Machucado numa das mãos, o goleiro titular não joga. Ele poderia ser substituído por Jackson, o reserva imediato, mas, por decisão do treinador, o gol do Qatar será defendido pelo africano Adama Bamba. E, neste sábado, Luís Costa e Jackson vão para a arquibancada do Sangju Civic Stadium.

“Jogar contra o Brasil não tem preço. Mas não será desta vez. Já enfrentamos a seleção em 2013 e vencemos. Espero que o nosso time tenha o mesmo desempenho. A partida não tem valor por título. Estou conformado”, assegurou o goleiro do Qatar.

Texto Roberto Cordeiro
Foto:Felipe Barra / Divulgação

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